Isabella Saes

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, 9, dezembro, 2008

Mais um!

É com muito prazer que interrompo a programação de posts sobre a China para comunicar aos leitores do “Mente Inquieta” que mais um conto – “Boneca Russa” – vindo das profundezas de minha cachola serelepe foi publicado. Desta vez no livro “Narrativas e Poéticas”, que reúne os vencedores e pré-selecionados do Concurso Literário Guemanisse de Contos e Poesias 2008. Eita coisa boa!

, 7, dezembro, 2008

Registros Chineses – Parte III

Para alguns amigos e membros da família trouxemos gravuras chinesas com o nome de cada um escrito em mandarim. Funciona da seguinte forma: você escreve o nome da pessoa num papel em português. Depois, fala o mesmo nome em voz alta. O que ela escreve em chinês é o resultado do que foi entendido através do som que emitimos. Sacou ou ficou confuso? Bom, o fato é que estou louca para encontrar um china por aqui pra saber o que realmente está escrito nos desenhos!!

Beihai Park – Um dos jardins mais lindos que já vi. Tudo bem que é todo construído pelo homem, mas é lindo mesmo assim.

Templo do Céu – Foi construído para que o imperador pudesse agradecer a colheita e rezasse para que a próxima fosse tão boa quanto a que passou. É considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Depois do dragão, o leão é a figurinha mais fácil de se ver na China. Ter um na porta de casa significa segurança garantida.

Fachada do restaurante Raka Town – Aqui, comemos o melhor frango com cogumelos das nossas vidas!! E o melhor: o prato foi escolhido pela foto. É que são pouquíssimos os restaurantes na China em que você encontra um cardápio com tradução em inglês. A maioria deles exibe as fotos dos pratos, o que obriga você a escolher pela beleza e não pelos ingredientes. Quando a sorte está ao seu lado, você consegue arrancar um “chicken, pork or meat” do garçom. Mas, na maioria das vezes, nem isso é possível. Eu diria que comer bem na China é como ganhar na loto: pura sorte.

, 3, dezembro, 2008

Registros chineses – parte II

Em plena atividade, registrando tudo pra contar pros filhos, netos, bisnetos, tataranetos…

A colorida e chata Ópera de Pequim. Explico: é um espetáculo de cor, luz, som, maquiagem impecáveis. Mas, os turistas saem perdendo: não entendemos nada do que é dito e a tradução em inglês é de doer!

Há pouco tempo um chinês não resistiu, resolveu abraçar um panda no Zoo de Pequim, e foi agredido pelo animal. Louco? Sabe que dá pra entender o rapaz?! O pandinha é irresistível…

Os chineses são muito hospitaleiros. Nesta loja, ficamos mais de uma hora conversando em linguagem de sinais com a dona, ao meu lado na foto. Quando perguntamos a ela se podíamos tirar uma foto da loja para guardar de recordação, ela disse: “Claro! Assim vocês lembram para sempre da gente. Eu, com certeza, nunca vou esquecer de vocês.”

O dragão chinês. Esse aí é o maior arroz de festa. Está em todas, de todos os tamanhos, cores, para todos os gostos! É o símbolo do imperador.

, 29, novembro, 2008

Registros chineses – parte I

A Grande e inesquecível Muralha: fomos ao trecho mais próximo de Pequim, em Badalin e atingimos o topo da muralha. Apesar de ter sido construída para defender o povo chinês das diversas invasões mongóis, a sensação lá é de muita paz.

A onda tradicional da Coca-Cola está presente até no ideograma chinês… Eita marca forte! A comunicação na China é complicada, mas a Coca-Cola está garantida.

Panjiayuan: o mercado das pulgas mais incrível que já conheci. Lá vende-se até a mãe.

Desenho feito com o polegar por um senhor chinês, que vive na Cidade Proibida.

E não é que me lembrei de Tim Burton na China?!

, 17, novembro, 2008

Vai um escorpião aí?

Até ir à China, escorpião, pra mim, não passava de um representante da turma dos aracnídeos, cuja picada poderia ser fatal. Lá nas mais profundas memórias de minha infância no mato, lembro-me da saudosa vó Lu dizendo: “Filhinha, seu sapato deve ficar de cabeça pra baixo. Do contrário, vai virar esconderijo de escorpião”. E lá ia a versão miniatura de Isabella, medrosa que só, inverter a posição dos calçados. Depois – mais crescidinha – descobri que escorpião era também um signo. “Os nascidos sob o signo de escorpião são valentes, impulsivos e dinâmicos. O dia de hoje reserva surpresas na vida amorosa dos escorpianos”, eu escutava ao ligar – mais ou menos umas cinco vezes por dia – para o Disk Zodíaco, da Zora Yonara. Lembra disso? É, caro leitor, o tempo passa… E passa pra que mudemos nossos conceitos e visões sobre tudo e todos. 

Pois foi o que aconteceu comigo em relação ao animal em questão. Lá estava eu, em meu primeiro dia em Pequim, na entrada da gigantesca Wangfunging, a rua de comércio mais importante da capital chinesa. É lá que fica também o mercado de comidas exóticas, no mais puro sentido da palavra. Nós, ocidentais, cidadãos brasileiros, acostumados àquela comidinha caseira – arroz, feijão, carne moída, ovo, purê de batas e afins – temos um verdadeiro baque ao ver inúmeras vitrines exibindo o que há de mais fresco em termos de estrelas-do-mar, baratas, escorpiões, sapos, cavalos-marinhos e companhia. As opções para quem quer se aventurar nesse tipo de culinária são infinitas. Cheguei ao local decidida a provar um escorpiãozinho que fosse. Tinham me dito que era crocante, e eu estava curiosa como uma criança. Nem que fosse meio escorpião, vai… Um terço?! A pata, quem sabe?! O ferrão…? Sinto informar que nem uma pequena parte eu consegui comer. Explico: os animais são expostos vivos na vitrine. Várias unidades num único espeto. Imóveis, esperando o momento de sua morte lenta. Basta um pequeno sopro e as patinhas mexem freneticamente, num movimento cheio de agonia e ansiedade. A filosofia do povo chinês diz que, quanto mais fresco o alimento estiver na hora de ser consumido, melhor. Por isso, conservam o bicho vivo até o momento de passá-lo numa espécie de farinha e fritá-lo num óleo sujo e fedido. Pois bem, desta vez não deu pra mim. 

Mas, essa experiência frustrada não tira da China o título de país com uma das culinárias mais ricas e gostosas do mundo. Comi muito bem por lá, apesar de ser tudo apimentado demais para o meu gosto. Agora, preciso confessar: chega uma hora em que o paladar cansa e você começa a sonhar com aquele pastelzinho de queijo, aquela pizza, aquele hambúrger suculento… Os chineses que me desculpem, com todo respeito às tradições de sua colorida e criativa cozinha, não há nada melhor do que a nossa boa e velha feijoada, acompanhada de uma caipirinha no capricho! E que nossos escorpiões continuem dando gritos de liberdade e descansando em paz nas selvas brasileiras!

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