Isabella Saes

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, 22, junho, 2010

Dachau

A pessoa tira férias, escolhe como um dos destinos a Alemanha e, antes mesmo de chegar, já está decidida a visitar um campo de concentração. Aí, você vai dizer: “A moça é maluca, tadinha, só pode… De férias, numa programação tão baixo astral”. Bom, o fato é que nunca passou pela minha cabeça ir à Alemanha e não conhecer parte dessa história de difícil digestão e ainda viva na lembrança de milhares de pessoas que sofreram nas mãos dos nazistas. Era o passado de uma nação e eu precisava conhecê-lo. Seis milhões de judeus foram mortos durante a Segunda Guerra e eu, sempre muito curiosa e inconformada com o fato de que o ser humano pode sim chegar ao extremo da crueldade, inseri em meu roteiro o Campo de Concentração de Dachau.

Dachau foi o primeiro campo de concentração da Alemanha, construido em 1933, num espaço onde funcionava uma fábrica de pólvora. Fica a 20 km de Munique, cidade onde viveu Adolph Hitler, um simples pintor de cartões postais, que se transformou na maior aberração que o mundo já conheceu. Inicialmente, Dachau foi uma prisão e só depois virou campo de extermínio. 43 mil pessoas morreram por lá. Algumas doentes, outras de frio, fome e muitas executadas, entre elas judeus, gays, religiosos e comunistas.

A visita, quer dizer, visita não. Visita me soa como algo positivo, como quem vai visitar um amigo, um familiar, jogar conversa fora. Prefiro chamar de “experiência”. Fria, silenciosa e angustiante. Quando fazemos a escolha de conhecer Dachau, percorremos o mesmo trajeto que os prisioneiros faziam. Passamos por um dormitório construído nos anos 60, uma reprodução dos inúmeros quartos que havia por lá e que, com capacidade para duzentas pessoas, chegaram a abrigar duas mil. Vamos até a câmara de gás, construída para que os prisioneiros achassem que iam tomar banho quando, na verdade, seriam assassinados pouco depois. Crematórios, objetos de tortura, salas de testes médicos também fazem parte da “experiêrncia”.

No fim da caminhada pela parte externa do campo há uma estátua em bronze feita por um dos sobreviventes de Dachau (você pode ver apenas a parte de cima nesta foto – retirada da internet, já que eu não consegui fotografar nada por lá…). É a representação de um prisioneiro, com três características marcantes: está bem vestido, com as mãos no bolso e de cabeça erguida. Três coisas que jamais existiram durante aqueles 12 anos de barbárie e sofrimento.

Essa foi uma das “experiências” mais fortes e tocantes da minha vida. E continuo inconformada com o nível de crueldade a que o ser humano pode chegar.

OBS: Faz um ano que estive em Dachau e, assim que cheguei de lá, sentei inúmeras vezes para escrever sobre a minha “experiência”. Não havia conseguido até aqui.

, 16, fevereiro, 2010

É Carnaval!

Não adianta… A cada Carnaval que passa eu juro pra mim mesma que pelo menos num bloquinho eu vou. E sempre acabo nas salas de cinema da cidade (que neste Carnaval lotaram!!), fazendo maratonas e maratonas de filmes. Eu gostcho!! Mas temos uma integrante na família que é foliã de verdade! Olha a cara de animação…

, 4, fevereiro, 2010

Vale a pena

Bons links para os raros momentos de nada pra fazer (tem tradução em português!!):

http://www.ted.com/talks/matthieu_ricard_on_the_habits_of_happiness.html
http://www.ted.com/talks/elizabeth_gilbert_on_genius.html
http://www.ted.com/talks/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html

, 4, fevereiro, 2010

Bom senso

Acho muito oportuno falar de bom senso no primeiro post do ano. Eu tenho. De sobra. Tem gente que vai torcer o nariz ao ler isso e vai dizer: “Querida, você tem bom senso segundo você mesma. Todo mundo se julga dotado de muito bom senso. Quanta petulância!” Ok, mas eu tenho bom senso. O que me faz sofrer muitas vezes porque a maioria das pessoas não têm (segundo eu mesma). Desde o cara que liga o pisca alerta em pleno Aterro do Flamengo e para o carro na via expressa para fazer xixi no canteiro, passando pelas pessoas que tecem teorias profundas sobre o que aconteceu na vida do outro sem saber da missa a metade, até o colega de trabalho que diz: “Vamos passar por cima dele sim, qual é o problema?” O problema é que o bom senso para ser um bom senso legítimo precisa vir acompanhado de senso de justiça, honestidade, caráter, lucidez.

Desculpa o espaço tão grande, é que estava procurando por eles. Ufa! Achei. A gente acha sim, em poucos mas acha. E é isso que me faz seguir em frente. Às vezes dá um desânimo profundo e a vontade é de tirar férias de 365 dias na terra do Shrek. Mas é preciso aprender a lidar com isso. E uma vez tomada a lição, a gente tira 10 quase sempre.

, 17, dezembro, 2009

Ratimbora!

Rapaz… Você chegou com tudo. Lembro-me como se fosse hoje do barulho dos fogos de Copacabana, do abraço apertado, do champagne gelado. Naquela escuridão, permiti que minha mente desenhasse você como bem entendesse, e o cenário que Dona Inquieta construiu foi tão bonito… Ela só não disse que você chegaria chegando, certo de suas vontades e com super poderes. Hummm… Mas, sabe que entre alguém que tem certeza do que quer e outro que fica em cima do muro, fico com a primeira opção?! Naquela noite, apertei o botão “com emoção”, sem titubear. Aí, você me levou a sério (quem não me leva?) e foi assim durante 365 dias. De uma coisa eu tenho certeza: jamais lhe esquecerei e jogarei seus números no bicho, pode apostar! Você me ensinou muito, me deu de presente momentos mágicos e me fez passar por duras provas. E o mais importante: me resgatou de “Lala Land”, aquela terra onde nunca estamos preparados pra tsunamis. Você me transformou numa pessoa melhor. Por isso, eu digo: “Ratimbora” 2009, você merece férias, pois trabalhou bastante e muito bem! Desejo que seu sucessor traga a todos amor, saúde e serenidade para fazer boas escolhas. A vida fica mais saborosa assim. Obrigada!

Desejo a vocês um Feliz Natal e um Ano Novo saudável em todos os sentidos!

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